Quem disser que
a barca pende...
Grupo Vocal Arsis
Direção Artística de António Lourenço Menezes
5 JUL‘26 / 17h
Convento de São Pedro de Alcântara
Quem disser que a barca pende… é um concerto construído em torno da imagem da barca enquanto lugar de encontro, travessia e comunidade. Através de textos de Camões, Gil Vicente e Bocage, o programa percorre diferentes épocas e linguagens musicais, unidas por uma mesma ideia: ninguém navega sozinho.
Entre paisagens sonoras que evocam a água, momentos de contemplação e episódios de forte intensidade dramática, o percurso desenha-se como uma reflexão sobre aquilo que nos une e sustenta. Porque, mesmo quando a barca parece pender, continua a avançar graças à força daqueles que nela seguem juntos.
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NOTAS AO PROGRAMA
A ideia deste concerto surgiu a partir de um primeiro contacto com a música coral de Frederico de Freitas. Para além da vontade de revisitar um repertório português de enorme qualidade e ainda pouco presente nos programas de concerto, foi nas suas obras que surgiu a imagem que acabou por unir todo o percurso: a barca.
Através de textos de Camões e Gil Vicente, encontramos embarcações que transportam pessoas, afetos, medos e esperanças. Encontramos também a travessia como metáfora de comunidade, confiança e destino. A partir destas imagens construiu-se a dramaturgia do programa. Esta ideia tem também uma relação direta com a prática coral. Um coro vive do equilíbrio entre a individualidade e o coletivo: cada voz é diferente, mas todas são necessárias para construir um resultado comum.
O núcleo formado por Ubi Caritas e Immortal Bach ocupa um lugar especial no programa. Mais do que pelo significado dos textos, estas obras foram escolhidas pela sua sonoridade e pela forma como evocam a fluidez, a profundidade e o movimento da água, criando um momento de contemplação e suspensão da narrativa.
No centro do concerto encontra-se La Bomba, de Mateu Fletxa, el Vell. Como acontece nas ensaladas renascentistas, a obra constrói-se através do contraste de ritmos, idiomas, ambientes e personagens para contar uma única história. Aqui, uma embarcação enfrenta uma tempestade e os seus tripulantes são obrigados a agir, reagir e colaborar, tornando particularmente evidente a ideia de comunidade que atravessa todo o programa.
O concerto termina com Marília, de Eurico Carrapatoso, sobre um soneto de Bocage. A riqueza da escrita coral e a forma como a música acompanha cada imagem do poema criam uma relação particularmente expressiva entre texto e som, encerrando o percurso com uma das obras mais marcantes do programa.
Este concerto assinala também o início de um novo ciclo artístico do coro. Tal como a barca que lhe dá nome, nasce da convicção de que o caminho se faz em conjunto e de que o todo pode ser maior do que a soma das suas partes.
— António Lourenço Menezes
PROGRAMA
Quem disser que a barca pende
Frederico de Freitas / Luís de Camões
A barca vai na ria (Aveiro)
Frederico de Freitas
Adorae montanhas, o Deos das alturas
Frederico de Freitas / Gil Vicente
Ubi Caritas
Ola Gjeilo
Immortal Bach
Knut Nystedt / J. S. Bach
Remando vão remadores (Tríptico Vicentino)
Frederico de Freitas / Gil Vicente
La Bomba
Mateu Fletxa, el Vell
Quem disser que a barca pende
Frederico de Freitas / Luís de Camões
Marília
Eurico Carrapatoso / Bocage
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O Grupo Vocal Arsis teve a sua fundação em 1978 pelo maestro Francisco d’Orey e alguns membros do Coro da Universidade de Lisboa, que procuraram dar continuidade ao trabalho musical desenvolvido na Universidade.
O Grupo Vocal Arsis foi dirigido até maio de 1986 por Francisco d’Orey e pelo maestro Luís Bragança Gil até maio de 1989, estando desde essa data até setembro de 2025 sob a direção do maestro Paulo Brandão. Desde 2026, a direção artística e musical é assegurada pelo maestro António Lourenço Menezes.
É composto por cerca de 30 coralistas das mais variadas origens que têm em comum o gosto pela música e o sentido de partilha imprescindíveis à atividade do canto em conjunto. Foi membro da Associação de Coros da Área de Lisboa (ACAL) e é atualmente membro da Associação Portuguesa de Música Coral – Coros Portugal, criada em setembro de 2017. É igualmente membro da European Choral Association (ECA – Europa Cantat) desde 1988. O Grupo Vocal Arsis, ou os seus membros individualmente, têm participado em semanas corais organizadas pela ECA e por outras organizações nacionais e internacionais, beneficiando do enriquecimento decorrente do contacto com coros de outros países e diferentes estilos de direção. O Grupo Vocal Arsis interpreta um largo espectro de repertório vocal que engloba autores portugueses e estrangeiros desde o período medieval até ao século XXI. Entre os próximos projetos do coro destacam-se a participação na produção da ópera Pigmalião, a apresentar no Teatro Variedades, bem como a preparação de um novo programa de Natal e de futuras iniciativas artísticas atualmente em desenvolvimento.
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Licenciado em Direção Coral e Formação Musical pela Escola Superior de Música de Lisboa, completou o Curso Secundário de Canto no Conservatório Nacional e realizou estudos no Zoltán Kodály Pedagogical Institute, na Hungria.
Desenvolve a sua atividade como maestro, diretor artístico e contratenor, distinguindo-se por uma abordagem artística eclética que cruza património musical, criação contemporânea e performance multidisciplinar. Como maestro e diretor artístico, tem trabalhado tanto na valorização de repertório histórico através de novas perspetivas interpretativas — incluindo estreias modernas de obras de F. Garro e J. R. Esteves — como na criação de novos projetos performativos, entre os quais se destaca Auto da Moura. Paralelamente, concebe e dirige concertos encenados e coreografados que integram música, movimento e narrativa, como Natureza Eterna e Passio, com o Incognitus Ensemble, bem como projetos de forte envolvimento comunitário, entre os quais Música no Coração, Do Convento para o Cabaret e o workshop coral A Voz em Coro. Desenvolve paralelamente um trabalho continuado na direção coral, área em que assumiu durante oito anos a direção artística do Coro Gaudia Vitae, entre outros.
Enquanto contratenor, apresenta-se regularmente em concerto, oratório e ópera, colaborando com agrupamentos como a Orquestra Barroca d’Aquém-Mar, o Ensemble Bonne Corde e o Ludovice Ensemble. Com uma carreira de cerca de dez anos, desenvolve uma atividade regular nos domínios da música antiga, do oratório e da criação contemporânea. Foi distinguido com o 2.º Prémio José Augusto Alegria e o 3.º Prémio do Concurso Internacional de Música Cidade de Almada.
Entre os projetos que prepara atualmente destacam-se a produção da ópera Pigmalião, a apresentar no Teatro Variedades, e Um Banquete Musical, com estreia em Alcanena, um projeto que reúne música e gastronomia numa experiência artística partilhada, dando continuidade à sua exploração de formatos multidisciplinares e de novas formas de relação entre artistas, património e público.
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