Habitar o Tempo
Contratempo | Concerto
Transcendência
Duo Komorebi
Camila Mandillo, soprano,
e João Casimiro Almeida, piano
6 NOV‘26 / 21h
Convento de São Pedro de Alcântara
iniciativa Égide
Transcendência um recital coreografado que se centra nos ciclos de Kaija Saariaho (Quatre Instants) e George Crumb (Apparition), apresentando uma viagem pelas possibilidades expressivas da voz e do movimento. Embora esses ciclos constituam o núcleo do programa, obras adicionais complementam e iluminam as suas paisagens emocionais e sonoras, criando um diálogo contínuo entre texturas, emoções e dimensões do som.
A música de Saariaho evoca um amor eterno, terreno e etéreo, íntimo e meditativo, habitando texturas subtis e coloridas que traçam a vida interior da psique. Apparition, de Crumb, por outro lado, abre outra dimensão: um mundo espectral e amplificado em que a memória, a vida e a presença são reimaginadas como uma viagem entrelaçada. Juntos, os ciclos incorporam uma passagem da introspecção à revelação, destacando as formas como o som pode transcender as fronteiras do tempo, do espaço e da perceção humana.
O conceito de transcendência do programa reflete a capacidade da música de elevar o ouvinte para além do momento imediato, revelando conexões profundas entre emoção, imaginação e reflexão existencial.
A voz e o movimento entrelaçam-se, forjando uma experiência integrada e multissensorial na qual a música transforma a perceção e evoca o inefável. Este recital demonstra como os ciclos contemporâneos podem confrontar a psique, conjurar experiências transcendentais e articular os mistérios da vida e da memória, oferecendo uma jornada tão íntima quanto expansiva.
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M/3
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PROGRAMA
Olivier Messiaen
Vocalise-Étude
Kaija Saariaho
Quatre instants
I.Attente
II. Douleur
III. Parfum de l'instant
IV. Résonances
Olivier Messiaen
Regard de L'Étoile (no.2 - Vingt Regards)
George Crumb
Apparition:
Elegiac Songs and Vocalises for Soprano and Amplified Piano
I.Vocalise 1: Summer Sounds
II. When Lilacs Last in The Dooryard Bloom'd
III. Dark Mother Always Gliding with Soft Feet Vocalise 2: Invocation To the Dark Angel
IV. Approach Strong Deliveress!
Vocalise 3: Death Carol ("Song of The Nightbird")
V. Come Lovely and Soothing Death
VI. The Night in Silence Under Many a Star
fotografia © Fernando Mota
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A soprano Camila Mandillo é atualmente artista em residência na Queen Elisabeth Music Chapel (Bélgica), sob a orientação de Sophie Koch e Stéphane Degout.
Formada pela Hochschule für Musik Hanns Eisler Berlin, concluiu a licenciatura e o mestrado com distinção, sob a orientação de Martin Bruns e Uta Priew, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian. Recebeu também bolsas de mérito, entre as quais ‘Deutshland Stipendium’, ‘Yehudi Menuhin Live Music Now Berlin e.V’ e o prémio ‘DMR Stipendienprogramms 2022 im Rahmen von Neustart Kultur’.
Iniciou os seus estudos musicais na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, onde se formou em canto e guitarra clássica, e foi membro fundador, solista e assistente de direção artística do Coro Infanto-Juvenil da Universidade de Lisboa.
Aprofundou o seu percurso artístico através de masterclasses com cantores de renome como Sabine Devieilhe, José van Dam e Thomas Hampson entre outros, bem como por meio de colaborações com músicos de referência, entre os quais Bernard Foccroulle, Philippe Pierlot e Iestyn Davies.
Reconhecida como uma voz de destaque na música contemporânea, Camila apresenta-se regularmente em recitais de música de câmara, Lied, ópera e repertório contemporâneo, distinguindo-se pela sua versatilidade e ampla expressividade entre diferentes géneros.
No ramo da ópera, interpretou papéis como Susanna em Le Nozze di Figaro (Mozart), Donna Anna e Zerlina em Don Giovanni (Mozart), Pamina em Die Zauberflöte (Mozart), Giulia em La Scala di Seta (Rossini), Morgana em Alcina (Handel), Belinda em Dido e Eneias (Purcell), Ser I em A Laugh to Cry (Miguel Azguime) - ópera premiada, em digressão nacional e internacional desde 2022;
Estreou ainda os papeis de Hana em Blown off course (Pedro Rebelo), Penélope em O Regresso (João Quinteiro), e Eurydike IIb em Eurydike (Feliz Anne Reyes Macahis) - parte da produção Neuen Szenen IV na Deutsche Oper Berlin.
No campo da música contemporânea, destaca-se a interpretação de “Pli selon pli” de Pierre Boulez com a Orquestra Gulbenkian; as colaborações como solista nos workshops ENOA “Composing for Voices and Orchestra” com os compositores Kaija Saariaho (2023) e Luca Francesconi (2024), também com a Orquestra Gulbenkian; a representação de Portugal no Art’s Birthday / Euroradio Ars Acustica Special Evening 2023, transmitido em direto por rádios internacionais; a abertura do Festival Música Viva 2024 com a Orquestra Metropolitana de Lisboa; e a atuação como solista no Antwerp Spring Festival 2025 com a Orchestre National de Lille.
Foi uma das intérpretes principais nos World New Music Days 2025, em Lisboa, com destaque para o concerto de abertura com a Orquestra Metropolitana de Lisboa no Centro Cultural de Belém.
Camila tem colaborado com diversos ensembles, incluindo, Il Gardellino Orchestra, Orchestre de l’Opéra Royal de Wallonie-Liège, Philharmonische Orchester des Staatstheaters Cottbus, Preußisches Kammerorchester, IEMA Ensemble, Echo Ensemble e Concrète {LAB} Ensemble, Orquestra Gulbenkian, Orquestra Metropolitana de Lisboa e Orquestra Barroca da Casa da música.
Desde 2020 participa ativamente em projetos com o Sond’Ar-te Electric Ensemble.
Na sequência de uma nomeação conjunta da Fundação Calouste Gulbenkian, Casa da Música e BOZAR, foi selecionada pela rede ECHO como uma das seis Rising Stars para a temporada 2026–2027, realizando uma digressão por algumas das mais prestigiadas salas de concerto da Europa.
fotografia © Madalena Gonçalves
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Músico versátil e entusiasta, coloca nas suas interpretações todas as suas vivências artísticas, demonstradas pela polivalência do seu repertório.
Formado em Paris, na classe de Michel Dalberto e Claire-Marie Le Guay, e no Porto, na classe de Madalena Soveral, João é convidado regular das mais importantes salas e festivais nacionais tanto a solo, ensemble ou com orquestra, tendo também uma emergente presença internacional.
É membro fundador do ensemble ars ad hoc, agrupamento de música de câmara dedicado à música moderna e contemporânea, com ênfase na música portuguesa.
No seu percurso artístico contactou e trabalhou com os mais importantes compositores da esfera musical atual, tais como Beat Furrer, Clara lannotta, Helmut Lachenmann, José Manuel Lopez Lopez, Oscar Bianchi ou Simon-Steen Andersen, e realizou inúmeras estreias de obras contemporâneas a nível nacional. É convidado também de orquestras como a Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Orquestra das Beiras, Orquestra Clássica de Espinho, Orquestra Sinfónica do Porto ou o Ensemble Orchestral Contemporain; colaborou com os maestros Bruno Mantovani, Joana Carneiro, Nikolai Lalov, Pedro Neves, Peter Rundel e Tito Ceccherini, entre outros.
A sua discografia inclui Alepo e outros silêncios (2022, Artway Records), Espectros (2023, Nepermusic), Le Grand Tango (2024, Percos Music), Os sons em volta (2025, Artway Records), e ars ad hoc (2025, Nepermusic).
Dos seus próximos projetos destacam-se a tour ECHO Rising Stars com a soprano Camila Mandillo, que passa pelas mais importantes salas europeias como a Philarmonie de Paris, Bazar em Bruxelas e Concertgebouw em Amesterdão, entre outras. Ainda, apresenta-se em Dezembro na Sala Suggia da Casa da Música do Porto a solo com a Banda Sinfónica Portuguesa.
João é Mestre em Performance de Piano pelo Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris, onde foi bolseiro da Fondation Meyer e da Fondation Les Amis d'Alain Marinara. É professor na Universidade do Minho e na Escola Profissional de Música de Espinho.
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