Sete últimas palavras de Cristo na Cruz
de Joseph Haydn, pelo quarteto Jose Despujols, Evandra Gonçalves, Luís Norberto e Michael Kiska
25 de outubro / 17H00
Igreja de S. Miguel de Nevogilde — Porto
Entrada livre
iniciativa Égide
Composta por Joseph Haydn em 1786, As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz é uma das obras mais singulares e expressivas do repertório sacro do Classicismo. Originalmente concebida para acompanhar a meditação sobre as últimas palavras de Jesus, durante uma celebração de Sexta-Feira Santa na cidade de Cádis, a obra organiza-se em sete meditações instrumentais, precedidas por uma introdução e concluídas por um terramoto, evocando o relato evangélico dos acontecimentos que se seguiram à morte de Cristo.
Ao longo das sete secções centrais, Haydn traduz em música a profundidade espiritual e humana das palavras de Jesus: o perdão concedido aos seus algozes, a promessa do Paraíso ao bom ladrão, a entrega de Maria ao discípulo amado, o sentimento de abandono, a sede, o cumprimento da missão divina e, finalmente, a entrega do espírito nas mãos do Pai. Sem recorrer à palavra cantada, a música constrói um percurso de intensa contemplação, no qual o lirismo, a contenção expressiva e os contrastes de carácter dão forma sonora ao sofrimento, à compaixão e à esperança.
Mais do que ilustrar episódios da Paixão, esta obra convida à escuta interior e à reflexão sobre o mistério da morte de Cristo. A escrita de Haydn, marcada pela clareza formal e pela riqueza expressiva, transforma cada meditação num espaço de recolhimento, em que o silêncio, a tensão e a serenidade adquirem um significado profundamente espiritual. A obra culmina em Il Terremoto («O Terramoto»), um movimento de grande intensidade dramática que evoca o abalo da terra descrito no Evangelho de São Mateus. Entre a dor e a transcendência, As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz permanece como um testemunho comovente da capacidade da música para dar voz ao indizível.
PROGRAMA
As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz
Jose Despujols, violino
Evandra Gonçalves, violino
Luís Norberto, viola d’arco
Michael Kiska, violoncelo
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Introduzione — Maestoso ed Adagio
Sonata I — Pater, dimitte illis, quia nesciunt, quid faciunt
Sonata II — Hodie mecum eris in Paradiso
Sonata III — Mulier, ecce filius tuus
Sonata IV — Deus meus, Deus meus, utquid dereliquisti me?
Sonata V — Sitio
Sonata VI — Consummatum est
Sonata VII — In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum
Il Terremoto — Presto e con tutta la forza
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O violinista José Despujols nasceu em Barquisimeto, na Venezuela, em 1974, tendo adquirido posteriormente a nacionalidade portuguesa.
Iniciou a sua formação musical na Venezuela, onde estudou com José Francisco del Castillo e Sérgio Cellis na Academia Latino-Americana de Violino, em Caracas. Em 1990, foi vencedor do 1.º Prémio no 6.º Concurso Nacional de Violino “Juan Bautista Plaza”, em Caracas.
Em 1996, foi bolseiro da Fundação Fulbright, em resultado de concurso realizado em Caracas. Nesse mesmo percurso académico, prosseguiu os seus estudos nos Estados Unidos da América, onde se diplomou em Violino pela Universidade de Indiana, nas classes dos professores Franco Gulli e Henry Kowalski.
Posteriormente, especializou-se em Música de Câmara na European Mozart Academy, em Varsóvia, na Polónia, consolidando assim uma formação artística de elevado nível internacional.
Ao longo da sua carreira, participou em numerosas masterclasses com reconhecidos músicos e pedagogos, entre os quais Emílio Colón, Tsuyoshi Tsutsumi, Helga Winold, Joseph Silverstein, Maurice Hasson, Oliver Charlier e Atar Arad, entre outros.
Violinista premiado, apresentou-se em concerto um pouco por toda a Europa e América, destacando-se a sua atividade como solista e músico de orquestra. Desempenhou funções de Concertino na Orquestra Sinfónica de Lara e na Orquestra da Universidade de Indiana.
Atualmente, é Professor de Violino na Escola Profissional de Música de Espinho e Primeiro Violino da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música.
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Vencedora de vários concursos de violino e de música de câmara, Evandra Gonçalves estudou em Portugal com Alberto Gaio Lima e Zofia Wóycicka, prosseguindo a sua formação nos Estados Unidos com Gerardo Ribeiro, na Northwestern University, onde obteve o Mestrado em Performance (reconhecido pela Universidade do Minho), e com Robert Lipsett, na University of Southern California, onde concluiu o Advanced Studies Degree. É também mestre em Ciências da Educação pela Universidade Católica do Porto.
Apresentou-se como solista com diversas orquestras, entre as quais a Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Orquestra Filarmonia das Beiras, a Orquestra Clássica do Porto e a Northwestern Symphony Orchestra, sendo também convidada para exercer funções de solista e concertino em agrupamentos como a Orquestra Sinfónica do Teatro Nacional de S. Carlos e a Orquestra Clássica de Espinho.
No domínio da música de câmara, é membro fundador do Doppio Ensemble, ao lado da pianista Ana Queirós, e da Camerata Senza Misura, dedicando-se à divulgação da música portuguesa contemporânea e à estreia de novas obras. Realizou concertos em Portugal e no estrangeiro, incluindo digressões nos Estados Unidos e no Brasil, e apresentações em cidades como Paris, Roma e Londres.
É frequentemente convidada para orientar masterclasses e integrar júris de concursos de violino e de música de câmara.
Integra a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e desenvolve também atividade pedagógica na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto e na Escola Profissional de Música de Viana do Castelo, tendo formado vários alunos vencedores de concursos e de provas de orquestra.
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É violetista da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música desde setembro de 2000, mantendo igualmente atividade regular em diversas formações de música de câmara com as quais se tem apresentado em diversas salas e festivais de música nacionais e internacionais.
Iniciou os seus estudos no violino na Academia de Música de Espinho e na Escola Profissional de Música de Espinho, tendo feito parte das classes dos professores José Camarinha, José Luís Duarte, Carlos Fontes e Anna Kratochvilová.
Em 1992, passou a dedicar-se à viola d’arco como aluno do professor Ryszard Woycicki, com quem concluiu os estudos na Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo do Porto. Manteve também aulas particulares com a professora Barbara Friedhoff.
Em 1994, conquistou o Primeiro Prémio na VIII edição do Concurso Prémio Jovens Músicos da RDP, na modalidade de viola d’arco.
Mantém atividade docente regular desde 1995 e, atualmente, faz parte do corpo docente do Conservatório de Música do Porto.
É membro da Direção da APVdA – Associação Portuguesa da Viola d’Arco.
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Michal Kiska nasceu em Cracóvia, na Polónia, tendo iniciado o estudo do violoncelo aos 10 anos com o professor Andrzej Pall, com quem também se formou, obtendo a licenciatura. Foi laureado em diversos concursos como solista, destacando-se o 1.º Prémio do Concurso Nacional de Violoncelo em Przemyśl, o 1.º Prémio no Concurso Nacional Polaco em Elbląg (1994) e o Concurso Nacional de Violoncelo de Poznań. Destacou-se também em concursos de música de câmara, como o Concurso G. Bacewicz, em Łódź (1998), o 2.º Prémio no Concurso K. Penderecki, em Cracóvia (1998), e o Concurso J. Brahms, em Gdańsk (2000), entre outros.
Michal Kiska apresentou-se diversas vezes na Polónia e no estrangeiro, especialmente na Holanda, Áustria e Alemanha. Frequentou masterclasses com M. Strauss, V. Yagling, A. Zielinski e A. Noras. No ano de 1997, entrou na prestigiada Orquestra da União Europeia.
Terminou os seus estudos com distinção na Academia de Música de Cracóvia, na classe do professor Zdzisław Łapiński. Estudou também na École Normale d’Alfred Cortot, em Paris, na classe do professor Paul Julien, tendo concluído o diploma com distinção no ano de 2003.
Desde esse ano, é violoncelista na Orquestra Nacional do Porto.

