Enraizada numa tradição transmitida oralmente ao longo de séculos, a música sefardita preserva a memória de uma cultura marcada pela diáspora iniciada com o decreto de expulsão de 1492, promulgado por Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão. Algumas destas canções remontam, contudo, a períodos anteriores a esse momento de ruptura, conservando traços do castelhano medieval e de um universo sonoro partilhado entre judeus, árabes e europeus na Península Ibérica.
Desenvolvida em estreito contacto com o mundo islâmico de Al-Andalus, com epicentro em Córdoba, esta tradição musical reflete a influência dos modos melódicos árabes (makamat) e das suas práticas interpretativas, marcadas pela ornamentação e pela improvisação.
Neste álbum, o compositor e pianista Filipe Raposo reúne canções de diferentes tempos e geografias do universo sefardita, compondo um mapa sonoro em movimento. Entre canções de embalar, diálogos amorosos, cantos de casamento e memórias da diáspora, o canto emerge como gesto primordial de transmissão, identidade e pertença.