O Irmão Fogo, no universo de São Francisco de Assis, é imagem de luz, calor, vitalidade e transformação. É a partir desta presença, evocada no Cântico das Criaturas, que se constrói este recital de acordeão solo, interpretado por Inês Vaz. Para Francisco, o fogo integra a grande fraternidade da criação: não é apenas elemento da natureza, mas expressão de uma beleza viva que liga o homem ao mundo que o rodeia.
Pela sua extraordinária riqueza tímbrica, o acordeão torna-se mediador desta experiência, podendo evocar tanto a delicadeza de uma chama como a sua força expansiva. O instrumento respira, pulsa e transforma-se, criando uma ligação entre a interioridade humana e a energia viva da criação.