O filho pródigo
ao encontro da alegria..., Fernando Lapa
ciclo de 5 canções sobre poemas de Nuno Higino
L’enfant prodigue, Claude Debussy
12 de julho / 17H00
Igreja de S. João Batista da Foz do Douro — Porto
iniciativa Égide
Este concerto propõe um diálogo entre duas obras separadas por mais de um século, mas unidas por um mesmo impulso poético: a procura da luz interior através da errância, da memória e do reencontro.
O ciclo “ao encontro da alegria…”de Fernando Lapa, sobre poemas de Nuno Higino, foi dedicado e escrito especialmente para a soprano Carla Caramujo e gravado pelo MPMP – Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, constituindo um contributo significativo para o repertório vocal contemporâneo português. Os seis poemas desenham um percurso imagético intenso, onde corpo, natureza e transcendência se entrelaçam. A escrita musical acompanha esta viagem interior, revelando uma alegria construída lentamente, nascida da escuta e da transformação.
Em l’Enfant Prodigue, cantata de juventude de Claude Debussy baseada na parábola bíblica do filho pródigo, assistimos igualmente a um trajeto de afastamento e regresso. Ainda marcada pela tradição lírica francesa do século XIX, a obra antecipa já a sensibilidade expressiva do compositor, culminando num gesto de reconciliação profundamente humano.
Colocadas em diálogo, estas duas criações exploram diferentes formas de retorno: ao lar, à memória, ao corpo e à esperança. Entre a contemporaneidade de Fernando Lapa e o lirismo pré-impressionista de Debussy, este programa convida o público a uma viagem emocional onde a alegria não é ponto de partida, mas destino.
PROGRAMA
Fernando Lapa (n. 1950)
ao encontro da alegria…
Ciclo sobre poemas de Nuno Higino
I. O Animal Eólico do Corpo
II. O Lume Persistente dos Filhos
III. Um Pomar de Relâmpagos
IV. Eu Tinha uma Lâmpada de Labaredas
V. As Folhas Celebram o Vento
VI. Se um Cavalo Iluminasse a Noite
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Claude Debussy(1862–1918)
L’Enfant prodigue (cantata)
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Carla Caramujo, soprano
Carlos Nogueira, tenor
Tiago Matos, barítono
Pedro Lopes, piano
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Carla Caramujo, licenciada e mestre pelas Guildhall School of Music and Drama e Royal Conservatoire of Scotland, venceu os Concursos Nacional Luísa Todi, Musikförderpreis der Hans-Sachs-Loge (Alemanha), Dewar Award, Chevron Excellence e Ye Cronies Awards (Reino Unido).
Apresentou-se com a London Sinfonietta, Royal Scottish Symphony Orchestra, Metropolitana, Sinfónica Portuguesa e Orquestra Gulbenkian, Orquestra Petrobras Sinfónica, Sinfónica de Joanesburgo, entre outras, sob a direção de Julia Jones, Ira Levin, Isaac Karabtchevsky, João Paulo Santos, Nuno Coelho, Graeme Jenkins, José Esandi, Johannes Stert, Nicholas Kraemer, Marc Tardue, A. Polyanichko, J. Eduardo Gomes, Pedro Amaral, Pedro Carneiro, Bruno Borralhinho, Osvaldo Ferreira, Tobias Volkmann, Priscila Bomfim, em salas como Smetana Hall (Praga), New Sage Gateshead (Newcastle), Barbican (Londres), Gulbenkian (Lisboa), CCB, Casa da Música, TNSC, Teatro Péon Contreras (Mérida), Traverse theatre (Edimburgo), Teatro San Martin (Córdoba), SODRE (Montevideu), Usina del Arte (Buenos Aires), Municipal do Rio de Janeiro, entre vários festivais nacionais e internacionais.
Em ópera, destacou-se em Contessa di Folleville (Il viaggio a Reims), Gilda (Rigoletto), Violetta (La Traviata), D. Anna (Don Giovanni), Rainha da noite (Flauta mágica), Fiordiligi (Così fan tutte), Adele e Rosalinde (Die Fledermaus), Princesse (L’Enfant et les Sortilèges), Adina (L’elisir d’Amore), Armida (Rinaldo), Controller em Flight (J. Dove), Salomé em O sonho (Pedro Amaral), La princesse em Orphée (Philipe Glass), Soprano em Lady Sarashina (Eötvös).Recentemente interpretou As quatro últimas canções de R. Strauss e a quarta de Mahler com a Petrobras sinfónica no Rio de Janeiro, segunda de Mahler com a OSP, o papel título em A raposinha Astuta de Janácek em S. Paulo, missa em dó menor com a Casa da Música, Anjo na Trilogia das barcas de Joly Braga Santos em S. Carlos, estreia mundial de Devoção de J.G. Ripper com a Sinfónica de Minas Gerais (Belo Horizonte) e Rosalinde em Die Fledermaus com a OFP.
Desde 2025, assume a direção artística do Festival de Ópera de Óbidos.
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O tenor Carlos Nogueira é licenciado pelo Royal Conservatoire of Scotland e mestrado em Opera Performance pela Guildhall School of Music & Drama de Londres, onde estudou com Laura Sarti e Rudolf Piernay.
Participou em masterclasses com Montserrat Caballé, Adrianne Pieczonka, Christian Curnyn, Malcolm Martineau, Helmut Deutsch, Sarah Walker e Emma Kirkby.
Recebeu o primeiro prémio no Norma Greig French Song Competition do RCS e Prémio Parque Expo no Concurso de Canto Lírico da Fundação Rotária Portuguesa.
O seu repertório inclui os papéis de ópera Ferrando em Così fan Tutte, Nemorino em Elisir d’amore, Don Ramiro em La Cenerentola, Dorvil em La scala di seta, Alfred em Die Fledermaus, Príncipe Ali em La rencontre imprévue, entre outros, bem como os solos de tenor nas oratórias O Messias de Händel, A Criação de Haydn, Requiem de Mozart, Paixão Segundo São Mateus de Bach, L’enfance du Christ de Berlioz e Stabat Mater de Rossini.Carlos Nogueira integrou coros de renome, nomeadamente o Festival de Bayreuth, Festival de Ópera de Glyndebourne, Festival de Ópera de Wexford, Ópera de Lyon, Ópera de Frankfurt, Teatro de Basileia e Ópera de Zurique. Desde 2015 é membro permanente do coro da ópera de Berna - Bühnen Bern.
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Em 2026, o barítono Tiago Matos interpretará dois papéis rossinianos Dandini em La Cenerentola no Festival de Óbidos e o protagonista de Il Barbiere di Siviglia com a Orquestra Filarmónica Portuguesa, ambas de Rossini. Participará ainda nas estreias de Papa est mort, nova criação de Fernando Lapa e António Durães; de Por Todos Nós, de Eurico Carrapatoso e João Lourenço, co-produzido pelo Teatro Nacional de São Carlos e Teatro Aberto; e da nova edição de Re:Opera, da Sinfonietta de Braga, com música de Sofia Sousa Rocha. Regressará também ao papel de Belcore no projeto Ópera Connosco da Plateia Protagonista. Recentemente interpretou os Carmina Burana (Orff) no Teatro de Vila Real e no Teatro Nacional de São Carlos foi o sargento Belcore em L’Elisir d’Amore (Donizetti) e Marco em Gianni Schicchi (Puccini). Com a Ópera Nacional de Paris foi, entre outros, Il conte di Ceprano em Rigoletto (Verdi), o protagonista de Don Giovanni (Mozart) e Frank em Die Fledermaus (J. Strauss). Destacam-se ainda Guglielmo em Così Fan Tutte (Mozart), Mercutio em Roméo et Juliette (Gounod) e Jupiter em Orfeu nos Infernos (Offenbach). Na criação operática contemporânea participou em Mátria (Fernando Lapa), Felizmente há luar (Alexandre Delgado), Madrugada: as razões de um movimento (Pais Oliveira/Azevedo/Fontes/Lopes/Ross) e estreou a primeira ópera em mirandês L mundo sempre fui l que ye, mas agora nós sabemos (Hugo Correia/Bruno dos Reis). Apresentou o projeto ALMO & Júlio Resende, com interpretações do cancioneiro português, em Portugal, Cuba, Moçambique, Cabo Verde e Estados Unidos, culminando a tour no Kennedy Center em Washington.
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Licenciado na ESMAE, na classe de Pedro Burmester, Pedro Lopes frequentou o Mestrado em Piano - Música de Câmara sob a orientação de Peter Orth e do Quarteto Auryn na Hochschule für Musik Detmold - Alemanha.
Tem ganho vários prémios em Concursos Nacionais. Em 2013 ganhou o Prémio de Melhor Pianista Acompanhador do 7o Concurso de Canto da Fundação Rotária Portuguesa, bem como o Prémio Helena Sá e Costa, edição especial comemorativa dos 100 anos do nascimento da artista. Foi vencedor do Concurso Auryn (Detmold - Alemanha) nas edições de 2017 e 2018, na categoria de Música de Câmara com piano. Já se apresentou a solo e em ensemble pelas principais salas do país, tais como a Sala Suggia e Sala 2 (Casa da Música), Grande e Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, Grande Auditório e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, Coliseu do Porto, Teatro José Lúcio da Silva (Leiria), entre outras.
Integrou, como cantor (baritono), o Coro Casa da Música e o Ensemble Cupertinos, tendo já sido dirigido por maestros como Paul Hillier, James Wood, Laurence Cummings, Gregory Rose, Baldur Brönniman, Olari Elts, Kaspars Putnins, Christoph König, Peter Rundel, entre outros. Actualmente desempenha funções de professor de piano na Escola de Música EMARA, pianista acompanhador na Academia de Método Suzuki A Pauta e professor de piano e prática de teclado na Escola Profissional de Música de Espinho. Paralelamente, faz trabalho de vocal coaching com cantores.
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Nuno Higino (n. 1960, Felgueiras) é um poeta e escritor português cuja obra reflete uma imagética intensa e uma relação sensível com a palavra. Publica regularmente desde o final dos anos 1990,
tendo mais de duas dezenas de livros editados, que abrangem poesia, literatura infantil e obras de reflexão. Entre os seus títulos destacam-se coleções como Abril – 25 Poemas (2024), Águas de Infância (2019), Rios Sedentos (2015) e O Vazio do Mundo (2018), além de obras para leitores mais jovens como O Livro de Benício e Versos Diversos, entre outros exemplos de uma produção que dialoga com a infância, a imaginação e a experiência quotidiana.
A obra de Higino tem sido reconhecida numa diversidade de contextos culturais, sendo presença regular em eventos literários e homenagens à poesia em Portugal.
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Fernando C. Lapa (n. Vila Real, 22 de novembro de 1950) é um dos mais relevantes compositores portugueses contemporâneos, com uma obra vasta e diversificada que abrange música sinfónica, coral, de câmara, solo, ópera, bandas sonoras para cinema e teatro, e conjuntos instrumentais variados. Estudou composição no Conservatório de Música do Porto, na classe de Cândido Lima, e frequentou cursos de pedagogia musical, música antiga, direção coral, análise e composição, consolidando uma formação ampla e integrada.
Com uma produção criativa que inclui centenas de peças, Lapa tem vindo a afirmar-se como figura de destaque no panorama musical português. As suas obras foram executadas em centenas de concertos em Portugal e no estrangeiro (em países como Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Polónia, Hungria, Finlândia, México, Canadá e Estados Unidos) e várias delas foram gravadas em CD ou transmitidas em rádios e televisões nacionais e internacionais, incluindo a RTP e a RDP.
Entre os seus projetos de maior relevância destacam-se obras como Variações sobre o Coro da Primavera para piano solo, Canções de Negro e de Sal para barítono e orquestra, e a ópera Mátria, estreada em 2021, refletindo a sua capacidade de fundir tradição e inovação. Outros trabalhos importantes exploram a relação entre música e literatura, a música coral e sinfónica e o diálogo com a música tradicional portuguesa.
Além da sua atividade como compositor, Lapa é professor de Análise e Técnicas de Composição no Conservatório de Música do Porto desde 1984 e leciona composição na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo (ESMAE) do Instituto Politécnico do Porto. Tem igualmente orientado seminários, participado como júri em concursos de composição, colaborado com revistas e jornais como crítico musical e escrito numerosos textos para programas de concerto e notas de CD.
A sua obra, que está publicada em Portugal e no estrangeiro, e a sua intensa atividade artística e pedagógica fazem de Fernando Lapa um nome incontornável da música portuguesa contemporânea.

