Habitar o tempo
Concerto
Música e Resistência
30 MAI‘26 / 19h / Apr 30th’26 / 7pm
Convento de São Pedro de Alcântara
iniciativa / initiative Égide
“A verdadeira música é sempre revolucionária, pois une as fileiras do povo. Encoraja-as, e guia-as avante.”
Escrito durante o cerco de Leningrado, o Trio No. 2 de Chostakovitch está imbuído de um perspicaz tom político, marcado pelo materialismo das palavras de ordem proletárias “Paz, Pão e Terra”, capturando a vontade revolucionária de um povo que recusou a sua própria destruição. Através de um diálogo entre a música de Chostakovitch com melodias tradicionais palestinianas, este concerto propõe uma narrativa de uma eterna centelha de resistência.
A música de Dmitri Chostakovitch está imbuída de um perspicaz tom político e de um verdadeiro espírito revolucionário, marcada pelo materialismo de uma revolução Marxista e pelas palavras de ordem proletárias “Paz, Pão e Terra”. É música para pessoas reais, com lutas reais, que representa a realidade material na sua dissonância e contradição; ou, como diria o próprio compositor: “a verdadeira música é sempre revolucionária, pois une as fileiras do povo. Encoraja-as, e guia-as avante”. O seu Trio em Mi menor Op. 67, escrito durante o cerco de Leningrado, captura não só o horror da devastação desta cidade, mas também a vontade revolucionária de um povo que recusou a sua própria destruição.
Este concerto mãos propõe um diálogo contínuo através do tempo e do espaço, que rompe as especificidades do seu próprio momento histórico e se torna, através da justaposição da música de Chostakovitch com melodias tradicionais da resistência palestiniana (através da obra 4 Canções Palestinianas de Manuel De Almeida-Ferrer para trio com piano, encomendada e editada pelo MPPM e estreada na Casa do Comum em Maio de 2025), numa narrativa de uma eterna centelha revolucionária e de resistência. Nas palavras do filho de Chostakovitch, Maxim, grandes artistas “não escrevem sobre esta guerra ou aquela revolução, mas sobre Guerra e Revolução em geral, o estado da mente e as emoções, não os factos.”
A interpretação estará a cargo do violinista Manuel De Almeida-Ferrer, da violoncelista Clara Abel, e do pianista José Pedro Ribeiro, músicos destacados nacional e internacionalmente na área da música de câmara.
PROGRAMA
Manuel De Almeida-Ferrer
“24 Canções Palestinianas” para trio com piano (2025)
I. Ya Leil Ma Atwalak (Ó Noite Longa)
II. Yumma Mweil El-Hawa (A melodia do vento)
III. A’eno Malaneh Nowm (Os olhos dele estão pesados com sono)
IV. Ya Tali’een El-Jabal (Aqueles que sobem a montanha)
Dmitri Chostakovitch
Trio No. 2 em Mi menor Op. 67 (1944)
I. Andante – Moderato
II. Allegro con brio
III. Largo
IV. Allegretto
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Jovem violinista e compositor originalmente de Lisboa, Manuel De Almeida-Ferrer atuou em inúmeros palcos em países como o Reino Unido, Bélgica, Suécia, Alemanha e China.
Estreou-se como solista aos doze anos de idade com a Orquestra Gulbenkian sob a batuta de Michael Zilm — não como violinista, mas como rapaz-soprano — e, desde então, apresenta-se frequentemente como solista e músico de câmara, tendo colaborando com maestros como Johannes Schlaefli, David Levi, Cesário Costa e Holly Choe, apresentando-se com orquestras como a Orquestra Sinfónica Portuguesa e a Orquestra Clássica do Centro. Num contexto de câmara, Manuel colaborou com o Hermes Ensemble, Karen Gomyo, Daniel Rowland, Kyril Zlotnikov, Filipe Pinto Ribeiro e o Juventus Ensemble. Vencedor de prémios em concursos no Reino Unido, Bélgica, Portugal e França, com destaque nacional para o Prémio Jovens Músicos e o concurso Vasco Barbosa, foi também bolseiro da Fundação Gulbenkian, da Royal Academy of Music, da JMI-Deutschland, da Young Notables Foundation e da FNAPEC-França. O seu percurso musical levou-o a palcos como Wigmore Hall (Londres), TivoliVredenburg (Utrecht), Muziekgebouw (Amsterdão), Teatro São Carlos (Lisboa), Casa da Música (Porto), l’Auditori (Barcelona), Auditorio Nacional de Música (Madrid), entre outras salas.
Músico de câmara dedicado, Manuel colabora com vários ensembles e tem-se apresentado em festivais como o Schiermonnikoog Chamber Music Festival e o Stift Festival (Holanda), o Festival dos Capuchos e o Bragança Music Fest (Portugal), o Festival de Música de Kuhmo (Finlândia) e o Thy Chamber Music Festival (Dinamarca), entre outros. Em formação na Academia de Quarteto de Cordas da Holanda (NSKA) sob a direção artística de Marc Danel, venceu concursos em Andorra, Espanha e Itália. Gravou para a Linn Records como membro do RAM Soloists Ensemble com Trevor Pinnock, para a Da Vinci Records o quinteto de David Winkler, para a banda sonora do documentário de Sergei Loznitsa, The Invasion, sobre a invasão russa da Ucrânia, assim como por três distintas vezes para a Antena 2. Colabora frequentemente com a Stift Festival Orchestra, a Nederlands Kamer Orkest e a Orquestra de Câmara Portuguesa, e é concertino da Amsterdam Kammerakademie.
Radicado na Holanda, Manuel iniciou os seus estudos de violino com Marilyn Brito e prosseguiu-os com Gareguin Aroutiounian na Academia de Amadores de Música. Estudou com Alissa Margulis, Jack Liebeck e Ilya Grubert no Koninklijk Conservatorium Antwerpen, na Royal Academy of Music em Londres e no Conservatorium van Amsterdam.
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logiada pelo seu «tom rico e elegante e excelente execução a solo» (Nordjyske), a violoncelista Clara Abel desfruta de uma carreira artística diversificada, tanto em instrumentos barrocos como modernos.
Clara é uma música de câmara vibrante e versátil, reconhecida pela sua sensibilidade camarística e pela sua presença cénica marcante. A música de câmara está no centro da sua experiência musical. Estudou com os quartetos Brentano e Guarneri, assim como com três gerações de membros do Juilliard String Quartet, e realizou residências de quarteto no Kneisel Hall, no Norfolk Chamber Music Festival e no Valley of the Moon Music Festival. A sua recente atuação com o Tempest String Quartet no Potash Hill Campus do Marlboro Music Festival foi elogiada pela sua «combinação raramente ouvida de virtuosismo e beleza poética» (Brattleboro Reformer). Atualmente, é membro do Quarteto Amizia, quarteto de cordas residente e corpo docente do Valley of the Moon Music Festival em Sonoma, Califórnia. O quarteto foi também residente no Yellow Barn Music Festival e foi vencedor do prémio «Best New Discovery» da San Francisco Classical Voice em 2025.
Como vencedora do Historical Performance Concerto Competition da Juilliard, interpretou o Concerto para Violoncelo em Lá Maior de C. P. E. Bach com o ensemble Juilliard415 no Alice Tully Hall e no Festival de Música Antiga de Boston, sob a direção de Paul Agnew. Outros destaques recentes da sua carreira a solo incluem o Concerto para Violoncelo de Elgar com a NYO-USA, e a sua estreia a solo no Lincoln Center, sob a direção de Masaaki Suzuki.
Clara atua regularmente com agrupamentos de música antiga, tais como a Philharmonia Baroque Orchestra, Twelfth Night, Pygmalion Ensemble, The English Concert, Jupiter Ensemble, Les Arts Florissants e Teatro Nuovo, tocando em concertos nos EUA, Europa, Ásia e América do Sul. Atualmente, está envolvida num extenso projeto para dar vida a um manuscrito para violoncelo do século XVIII recentemente descoberto, que inclui estreias modernas de obras de Scarlatti e Gabrielli, entre outros.
Reside em Paris durante 2025-2026 como bolseira da Beebe Fellowship. É titular de três diplomas da Juilliard School, onde se especializou em música de câmara e interpretação histórica e foi bolseira da Kovner Fellowship. Está imensamente grata aos seus professores, Joel Krosnick e Phoebe Carrai.
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"...José Pedro Ribeiro, a master of keyboard clarity reminiscent of (…) Maurizio Pollini ..." Sociedade Internacional de Música Contemporânea (ISCM)
"...Rich, allusive, mysterious, evocative, robust and direct, beautifully idiomatic…" Simon Cummings in 5:4 - Compositor e Crítico
“... Playing is always beautifully phrased with a huge dynamic range” Friedrich Edelmann, 1º Fagote, Münchner Philharmoniker (1977-2004)
José Pedro Ribeiro (n. 1995) afirma-se como um dos pianistas portugueses mais ativos da sua geração. Na temporada 2025/2026 apresenta The People United Will Never Be Defeated! de Frederic Rzewski, na Sala Principal do Teatro São Luiz, em Lisboa.
Dos mais destacados compromissos das últimas temporadas salientam-se os concertos com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Sinfonietta de Lisboa, Ensemble de Sopros da AFCL e Orquestra Sinfónica da ESML , tendo apresentado concertos para piano de Beethoven, Bomtempo, Lopes-Graça, Schoenberg e Stravinsky. Mantém uma colaboração regular com o Melleo Harmonia — ensemble que reúne músicos da Orquestra Sinfónica Portuguesa, da Orquestra Metropolitana de Lisboa e de outras formações nacionais — em programas de Música de Câmara no Festival Música no Termo, na temporada do Teatro Nacional de São Carlos e em recitais frequentemente transmitidos pela Antena 2.
A sua atividade recente inclui ainda uma digressão pela República Checa, tendo-se apresentado em Brno, Blansko e Praga, sempre calorosamente recebido, bem como um recital em Roma. Destaca-se, igualmente, a interpretação do Triplo Concerto de Beethoven com o Trio Adamastor (Francisco Henriques no violino e Pedro Massarrão no violoncelo) e a Sinfonietta de Lisboa, dirigida por Vasco Azevedo, perante uma audiência de mais de 50.000 pessoas. Para além do grande número de espectadores, a interpretação foi amplamente elogiada pela crítica, que destacou a “qualidade” e referiu que “satisfizeram todas as expectativas”.
Depois de ter sido laureado no Prémio Jovens Músicos em Piano (2019) e em Música de Câmara (2017 — Trio Adamastor), José Pedro Ribeiro apresenta-se regularmente em salas e festivais como a Fundação Calouste Gulbenkian, Casa da Música, Centro Cultural de Belém, Teatro São Luiz, Assembleia da República, Academia das Ciências de Lisboa, Museu do Oriente, Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim, Festival Música Viva, Festival do Estoril e World New Music Days.
Natural de Vizela, estudou na sua cidade natal com José Manuel Ramos Ferreira, Filipe Pinto e Rogério Rodrigues. Mais tarde, entre 2012 e 2015, estudou em Guimarães com Ingrid Sotolářová. Posteriormente, e até 2019, foi aluno da Escola Superior de Música de Lisboa na classe do pianista Miguel Henriques.
Presentemente, é aconselhado por Artur Pizarro.
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