Irmão Sol

Que faz o dia e nos dá luz

Irmão Sol
Que faz o dia e nos dá luz

Recital de Órgão solo por Sérgio Silva

8 Out’26 / 12h40
Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, Lisboa

Entrada livre

iniciativa Égide
curadoria Maestro Nuno Miguel de Almeida

São Francisco de Assis assume-se como figura central deste concerto e o ponto de partida para uma reflexão musical em torno do Sol, imagem privilegiada do seu percurso espiritual e poético. No Cântico das Criaturas, o Sol surge como “irmão”, sinal da beleza da criação e expressão da luz que sustenta a vida e ordena o tempo dos homens. É a partir desta imagem fundadora que se constrói um percurso musical marcado pela contemplação, pela escuta e pelo reconhecimento da beleza.
A escolha do órgão como instrumento único deste programa encontra no simbolismo do próprio instrumento uma profunda correspondência com a imagem do Sol em Francisco. Pela riqueza das suas cores, pela diversidade dos seus registos e pela capacidade singular de envolver e preencher o espaço sonoro, o órgão afirma-se como uma presença abrangente e universal. Tal como o Sol, a sua sonoridade ilumina, atravessa e congrega, criando um espaço onde diferentes timbres e vozes se encontram numa mesma experiência musical.
O programa percorre diferentes dimensões da luz e do tempo, aproximando o universo espiritual de São Francisco de uma linguagem musical que convida à interioridade. Cada obra torna-se um reflexo dessa luz, uma possibilidade de meditação sobre a criação, o mistério e a passagem do tempo. Entre silêncio e plenitude sonora, entre intimidade e grandeza, o órgão revela-se como instrumento de contemplação e de descoberta.
O Sol de Francisco não é apenas astro ou fenómeno natural. É símbolo de claridade interior, de esperança e de comunhão com toda a criação. Num tempo frequentemente marcado pela fragmentação e pela incerteza, esta imagem conserva uma particular atualidade: recorda-nos a possibilidade da unidade, da harmonia e de um olhar renovado sobre o mundo que habitamos.
Neste concerto, Sérgio Silva assume o órgão como mediador dessa experiência, conduzindo o ouvinte por um percurso em que a música se torna espaço de escuta e contemplação. Mais do que evocar uma figura do passado, este programa procura fazer ressoar uma mensagem que permanece presente — uma mensagem de luz, de esperança e de reconhecimento da criação como realidade que nos une e da qual somos parte.

PROGRAMA

Josef Rheinberger (1839-1901)
Sonata para Órgão nº 7 em Fá menor, op. 127: Preludio 
Sonata para Órgão nº 4 em Lá menor, op. 98: Intermezzo 

Johannes Brahms (1833-1897)
O Welt, ich muß dich lassen, op. 122, nº 3

Maurice Duruflé (1902-1986)
Prélude et Fugue sur le nom d’Alain, op. 7