Ciclo Habitar o Tempo

Ensemble Darcos

14 MAR‘26 — 21h / mar 14th’26 – 9pm
Convento de São Pedro de Alcântara

São Pedro de Alcântara Convent

iniciativa / initiative Égide.

A propósito de uma longa digressão de concertos pelos Estados Unidos da América (1930), a Fundação Elizabeth Sprague Coolidge da Biblioteca do Congresso de Washington, D.C., encomendou a Sergei Prokofiev (1891-1953) uma obra de câmara, dando origem ao Quarteto de cordas n.º1, em si menor, op.50, estreado a 25 de Abril de 1931, pelo Quarteto Brosa. De textura musical intrincada e, pouco convencional quanto à forma, culminando num andamento final lento, é revelador da voz única de Prokofiev e a sua atenção meticulosa aos detalhes. 

O 1º andamento, Allegro, inicia-se com uma melodia peculiar e cheia de surpresas, impulsionada por um vigoroso acompanhamento, rapidamente desenvolvido numa complexa teia contrapontística. O 2º andamento é assombrosamente introspetivo até se transformar num scherzo vertiginoso, mordaz e espirituoso, numa explosão de cor e texturas musicais. O andamento final, Andante, mergulha numa paisagem solene e lírica, cheia de nostalgia, em tensão crescente, até dissipar-se, silenciosamente.  

Escrito em 1876, por Bedřich Smetana (1824-1884), figura proeminente do movimento nacionalista checo, o Quarteto de Cordas nº 1, em mi menor, op.116, intitulado Z mého zivota [Da Minha Vida], é uma obra altamente pessoal e autobiográfica, em jeito de catarse pelo facto de ter ensurdecido em 1874, aos 50 anos. De acordo com as palavras do compositor, retrata um “pequeno círculo de amigos” a “discutir entre si o que tão obviamente me aflige”, como se fosse o “retrato sonoro da minha vida” 

O 1º andamento, Allegro vivo appassionato, evoca a “inclinação para a arte na minha juventude, com o romantismo a predominar, o anseio indizível por algo que não conseguia expressar ou imaginar com certeza, e também uma espécie de aviso do meu futuro desastre”. No 2º andamento, Allegro moderato à la Polca, o compositor recorda a “vida feliz da minha juventude, quando, como compositor de música para dança, frequentava o mundo da moda, onde era conhecido como um bailarino apaixonado”. O ardente e lírico 3º andamento, Largo sostenuto, é uma ode a Kateřina Otilie Kolářová (1827-1859), a “rapariga que mais tarde se tornou minha fiel esposa”, assumindo-se como o clímax emocional do quarteto. O último andamento, Vivace, apresenta a “perceção da beleza da música nacional e a felicidade daí resultante, interrompida pela minha sinistra catástrofe”, a nota aguda no 1º violino, representando a surdez de Smetana. 

(Notas de José Bruto da Costa

  • Biografia

programa / program

Ensemble Darcos

S. Prokofiev (1891 – 1953) 
Quarteto de cordas Nº1 em Si menor, Op. 50 
I. Allegro 
II. Andante molto 
III. Andante 

B. Smetana (1923 – 2006) 
Quarteto de cordas Nº1 “Da minha vida” 
I. Allegro vivo appassionato 
II. Allegro moderato à la Polka 
III. Largo sostenuto 
IV. Vivace 

apoio institucional / institutional support