10 DE DEZEMBRO / 12h30

O Natal madeirense transporta a memória de um passado marcado pelo esforço de domesticação do habitat natural. A miniaturização do nascimento divino, incorporando a orologia da ilha, é um dos traços significativos deste património – as «lapinhas» e «escadinhas», presépios decorados com elementos da flora da Madeira, organizam-se em pirâmide para o Deus-menino. No século XIX, os presépios de rochinha reforçaram a presença da paisagem insular neste imaginário devocional.

O repertório deste ciclo tem uma forte relação com a evocação da Senhora do Ó (17 de dezembro), uma senhora explicitamente grávida, expressão da expectativa messiânica. Entre 16 e 24 de dezembro, a novena de preparação do Natal inspira, na Madeira, as «missas do parto», que celebram a parturição divina de Maria e dão testemunho da criatividade musical popular. Os cinco cantos aqui apresentados – selecionados a partir de um cancioneiro organizado por João Arnaldo Rufino da Silva – formam uma cantata de Natal recriada, em 2010, pelo compositor e antropólogo Alfredo Teixeira. A arquitetura coral construída coloca em diálogo a rusticidade do canto popular e a solenidade da liturgia romana, entre o lar e o altar.

PROGRAMA

O sagrado materno entre o lar e o altar
Sacred Motherhood Between Home and Altar

Alfredo Teixeira (1965-)
Missa do Parto I, a partir de cantos madeirenses para a novena de Natal
1. Maternidade
2. Bendito
3. Nome de Maria
4. Desterro
5. Rogo

Ensemble São Tomás de Aquino
Maria de Fátima Nunes
/ Direção musical

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